sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre ele (e os meus lirios)


Desde quando ele passou pelo meu portão meus lirios passaram a ficar assim: todos os dias floridos. Cada pétala vermelha daquela muda branca que Dona Odila me deu, trocando na minha visita biscoitos de polvilho por Lírios, meus (de)lirios vermelhos floriram nesta garagem dando flores apenas na primavera, mas desde quando ele esteve aqui no meu portão, os lirios passaram a agir de forma diferente, ora vermelhos, ora purpura, ora perfumados, ora apenas com cheiro de orvalho, meu (de)lirios agora floriam, não apenas na primavera, mas também no verão, outono e mais ainda no inverno, quando eu parecia mais precisar das cores que tanto gostava em minha garagem, o branco do inverno se misturava sempre ás cores da minha pele, mas com ele por perto as cores saltam pelas paredes e pelas flores, nem as margaridas que ficam no fundo do jardim conseguem finjir que não sentem sua presença, ele traz cor a todos estes cômodos. Traz o vermelho de volta a minha pele, clara e o meu coração duro como mármore.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pausa para o café


Você poderia seu moço, me emprestar se esboço, pra eu rabiscar?
nem que ele tenha só o teu rosto, quero ter apenas o gosto de nele tocar.
Não tenha medo de mim, eu sou menina sim, mas posso aprender a te amar.
Cada dia longe de ti é um desejo, um sonho louco, ou um beijo, que eu quero lhe arrancar.
Mas você fica assim, afastado de mim sem me dar nenhum olhar.
Anda logo seu moço, me arruma esse esboço pra eu provocar.
PEnso em vocÊ no portão, nos jardins, no chão.
Corre moço! A noite já cai, o sereno já vem, e eu estou descalço!
não me deixe pegar resfriado! Tras logo esse esboço pra esquentar meus pés!
VAmos pra grama molhada, a terra seca não tem o seu cheiro.
se me deixar te tocar te deixo me ver primeiro.
mas por favor, não finja não enxergar...
me deixe dançar e sujar os pés na areia,
Cantar as cansões daquela sereia
que prometeu um dia que ia te amar...
Esquece ela moço!
Eu já tenho o teu gosto, teu cheiro, teu pescoço...
e você pra me provocar....
Ah deixa moço!
eu chegar de vagarinho...te dar um beijinho e com força te abraçar
te chamar pra sempre de meu benzinho
e sorrir ao te olhar (:

quinta-feira, 23 de julho de 2009

II

Tic! Tic! Tic!
"-Seu bixo doido! Esse coco não vai furar com seus dentes!"
Tic! Tic! Tic!
"-Veja lá como fala seu caramujo gosmento, vai furar em dois palitos, fica aí só vendo!"
Tic! Tic! Tic!
"-Coelhada Maluca"- disse o Caramujo e saiu se arrastanto e deixando rastros gosmentos e o coelho em uma tentativa frustrada de furar o coco.
Tic Tic Tic tic!
"-Eita! Coco mais teimoso que não quer furar!"
Tic Tic Tic
"Hey! Hey! onde vai voadno rápido assim dona Coruja?! E além do mais, a estas horas do dia! Veja só, duas da tarde oque faz acordada?!"
"-Como sabe que são duas da tarde coelho! Coelho não usa relógio! Pelo menos não aqui!"
"-Deixa de ser curioso! Sei que são tres horas! Já te disse!"
"-Mais acabou de dizer que eram duas!"
"-Claro Claro, eram duas, mais com tanta enrolação que me fez, já são até tres horas olha só já tah ficando tarde!"
"-Ah Coelho doido! Não sabe ver hora nada!"
"-Sei sei sei sim! E pare com essa enrolação pra que tanta correria!?"
"-O Burro veio me dizer, que lá na beirada da praia, tem um cesto com uma coisa branca que se move, quero ver se é de comer! Se eu não correr não sobra nada pra mim ora!"
"-Aaah, eu tenho meu coco, isso que tá no cesto nem deve ser mais gostoso do que meu coco!"
"-ahahahaha, Vai passar o dia todo tentando furar isso aí!"
"-Não vou nada, já estou até vendo a parte branca do coco!"
"-Fique aí o dia todo! Vou lá ver o que há no cesto!"
E saiu a Coruja toda apressada, voando como um gavião.
"Se o que está no sexto é todo branco! Pode ser feito de coco!" Pensou o Coelho e saíu correndo pela Floresta, como um vulto azul que não presta atenção nas árvores, mas também, não tropeça.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Era uma vez....
Sempre sonhei em começar uma história assim, "era uma vez" minhas tias sempre me contavam histórias assim, então pensei pq não começar uma história com "era uma vez" visto que....ai já falei demais e nem comecei....
Era uma vez....duas tres vezes por dia, cada vez era uma história pra contar.
Em um lugar onde o "era uma vez" da minha mãe e minha tia sempre existiam...
esse lugar se chamava Osiarap ...
Osiarap é uma pequena ilhazinha perdida pelo atlantico, onde nenhum barco consegue chegar, por algum motivo, os cascos dos navios são sempre furados. Nunca se salvou nenhum. Quer dizer nenhum nenhum é muito de se dizer.
Em uma noite cinzenta houve uma enorme tempestade. Os tripulantes do navio L.P.P.S. tentaram em vão se salvarem. mais o navio virou-se na tempestade ficando com o casco para cima e as pessoas para baixo.
Porém neste navio havia um bravo marinheiro, de barbas vermelhas, muito vermelhas, cabelos compridos amarrados em um rabinho esticado pelas costas. Este bravo marinheiro, conseguiu salvar-se nadando até uma ilha pequenina, onde havia muito coco, e peixes para dar e vender.
Por sete anos o marinheiro viveu nesta ilhazinha. Até que um dia encontrou em uma cestinha, algo cor-de-rosa que se mexia.
Ao ver uma pequena garotinha se enroscando em cobertores, pensou na dor que aquela criança iria sentir se vivesse ali, se alimentando somente de peixes e coco, e se passase sete anos de sua vida ali, e se passase a vida toda.
Decidiu que faria um barco e levaria a garotinha pra cidade. Viajou por tres dias com ela pelo mar levando peixe cozindo e água de coco em seu barquinho de taquaras que mal conseguia boiar. Porém pra azar do marinheiro, os peixes acabaram restando somente o coco. ele sentia imensa fome, e pensava em como se alimentaria e alimentaria aquela criança com o pouco de comida que havia em seu navio. Com o coração gelado, com a falta de comida, o sol apagando o pouco que seus olhos enchergavam, jogou a cesta com o bebe no oceano...Deixando que tomasse o destino que tivesse. Aí, amigos, vem a parte estranha da história neste momento, ele começou a ouvir barulho de pica-pau vindo do casco de seu navio.
"tic-tic-tic"
O navio se mexia mexia, até começar a entrar água por entre as taquaras do fraco navio. O marinheiro sentia gelar o seu corpo todo com a temperatura da água. via seus cocos boiando oceano afora Não havia onde se segurar. pra onde nadar, pois os estranhos animais que derrubaram seu navio começaram a bicar tuas pernas, pouco a pouco até sangrarem, corroerem e ele passar a sentir o salgado gosto das águas rasgando teus pulmões, entrando por suas narinas, e vivendo pra sempre, em um imenso verde sem fim.
A garotinha do cesto foi estranhamente carregada para Osiarap, o cesto parou em areias brancas, e pra onde se olhasse, via um imenso azul. Por ali a garotinha passou algumas horas dormindo em teu cesto um sono profundo...

sábado, 25 de abril de 2009

O Antílope e o Jacaré

Simples jacaré de lagoa, procurando peixinhos no mar...o Antilope que medo tem de jacaré de dentes grandes.... por ali nem chega a nadar...
Mais Jacaré é triste, mesmo que o antilope não possa enchergar....
que em seu triste ninho não tem ovinhos pois ele mesmo pois-se a abocanhar...
Jacaré de lagoa, só ve a canoa com os indios passar...
Fica ali encoberto....com os olhinhos espertos, esperando o cardume passar....
Cardumes ligeiros....
passam sempre rasteiros fazendo o Jacaré deixar um monte escorregar....
E Antilope fica só de longe olheiro esperando o jacaré se empanturrar....
Mais Jacaré é triste, mesmo que o antilope não possa enchergar....
ele mata peixinhos....Abocanha ovinhos....e nada pode fazer para parar....
Nem Passarinhos sozinhos..e fora do ninho o Jacaré pode perdoar...
Passa o tempo....Passa a Ponte....Passa o LAgo Jacaré crocodilado não para d matar...
Anitlope continua assustado sem nem poder se aproximar....
Chega o dia triste em que Jacaré persiste....
tenta tenta mais não para d matar....
Mais Jacaré é triste, mesmo que o antilope não possa enchergar....
Jacaré lá na lagoa Abocanhou uma canoa e tudo fez piorar....
Antilope o acha FArseiro...Cheio de planos e guerreiro...que só pensa em matar....
Mais Jacaré é triste, mesmo que o antilope não possa enchergar....
Jacaré acaba sozinho....sem ter ovinhos no ninho, pois ninguem quer se aproximar....
O Jacaré não mata por maldade....
Mata para sentir saudade do que um dia esteve lá....

quarta-feira, 18 de março de 2009


Foda-se o maldito príncipe.
Nem nome aquele desgraçado tem.
Só uma polpança gorda e cheia do seu maldito dinheiro que não me dá nenhum prazer.
Não quero esse vestido vermelho.
Nem essa droga de baile, esses sapatos de cristal que não me cabem no pé.


Quero dançar descalça no meio da grama molhada.
Sentir a chuva cair no meu rosto.
Ouvir um cavalo com sua cavalgada.
Sentir na boca o seu gosto que de realeza nada têm.


Quero ouvir você dizer:
"sobe aqui Dona moça!"
Quero que fale errado.
Que entre em casa com botas sujas de barro
quero te chingar e ver tudo acabando num abraço.

(:

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Para Dirceu, Sou Marilia.
Para Leonardo, sou Monalisa.
Para Caminha, sou índia.
Mostro minhas vergonhas para ser bem descrita ao rei,
Como ouro nunca encontrado em Portugal.
Sou branca.
Esculpida do mármore mais gelado e pesado que o servo do artista consegue carregar.
Sou prostituta noturna de cabarés perdidos pelas ruas.
Sou branca, estou nua, e ainda assim sou brasileira.
Tenho olhos de ressaca.
Te arrasto, te puxo, te chamo pra brincar...
Vamos, me faça uma trança...
Leio romances de mulhersinha,
Me chame de madame, por favor.
Gosto que se refira á mim assim, servo meu.
Sou Rita, Ana, Laura, guerreira, amante, lapis de cor, alfinete...